Wednesday, November 22, 2006

Setubalenses


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     No próximo sábado, no Museu do Trabalho, pelas 15h, terá lugar mais uma "Tarde Intercultural", desta vez abordando o tema "Ser Setubalense". Será apresentado o documento audiovisual "Ser Setubalense - retalhos de vida com Setúbal inscrita" e haverá um debate com Viriato Soromenho Marques, conhecido setubalense e professor de Filosofia. Será ainda feita a apresentação do livro "O Leito e as Margens", de Paula Godinho, da Universdade Nova.
     Como mote para o debate, podemos ler no blogue de Isabel Victor, que «Setúbal é um velho porto de abrigo para múltiplas derivas e migrações. É uma cidade multicultural mas, nem por isso, intercultural. A categoria "Ser setubalense" ainda não é suficientemente abrangente. Ainda não comporta a ideia de que são setubalenses todos aqueles que, por uma razão ou outra, têm Setúbal (ou a sua metáfora) inscrita nas suas vidas, independentemente do seu ponto de partida e do seu rumo.» (E de facto, tem ainda muito peso na cidade o perturbante aforismo de que esta é "mãe para os vêem de fora e madrasta para os que aqui nasceram").
     Isabel Victor acrescenta que «o trabalho de campo que o Museu tem vindo a realizar com os diferentes grupos na comunidade, revelou-nos que as comidas, são um interessante laboratório de sínteses e adaptações culturais. A necessidade aguça o engenho, impõe a mistura de sabores e jeitos que se fundem em gostosos panelões interculturais. Talvez por isso, a Praça de setúbal, o belíssimo "Mercado do Livramento", seja citado por setubalenses de todas as origens (alentejanos, algarvios, Murtoseiros, africanos, chineses, russos, romenos, goeses, timorenses, brasileiros, etc.), como um local primordial de encontro, um património delicioso ... Um espaço agregador! Uma plataforma intercultural em setúbal?»
     Consequentemente, a directora do Museu do Trabalho desafia «fotógrafos, escritores, músicos, poetas e demais olhares artísticos, a olharem sem limites este local tão inspirador, em busca das diversas culturas, dos diversos modos de "Ser setubalense" que brilham entre peixes, frutas e couves no Mercado do Livramento ...»


Mercado do Livramento - fotografia de Bev Trainer, uma "irlandesa-setubalense", do clã dos O'Neill, que descobriu recentemente o retrato do chefe tradicional desse clã, Owen Roe O'Neill, numa pequena mansão da Estrada das Machadas de Cima, propriedade do actual chefe, Hugo O'Neill. Este clã dispersou-se pelo mundo na sequência das violentas perseguições aos católicos no tempo de Cromwell, tendo Portugal acolhido um dos seus ramos. Por coincidência, Bev Trayner acabou por vir viver a pouca distância do simbólico retrato. Será Bev uma Setubalense?

1 Comments:

At 1:12 am , Blogger isabel victor said...

Realmente, ninguém existe fora da História ... e há "estórias " muito curiosas que marcam as pessoas e os lugares! A propósito da mansão O`Neill, aqui referida pelo JAldeia, veio-me à memória o escritor Dinamaquês Hans Christian Andersen que, na sua breve passagem por Setúbal, foi recebido por esta família O`Neill e que, ao que se sabe, também esteve nesta mansão, na Estrada das Machadas. Imagine-se, Setúbal inscrita da vida ( e obra ) de Hans Christian Andersen ... mote de contos e narrativas deste génio da palavra ! Será que a Setúbal, fresca e verdejante que ele descreveu, viajou no seu imaginário até à Dinamarca e hoje ainda por lá paira ?

 

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