Monday, November 20, 2006

«Ter "os dias contados" e não termos consciência iminente disso, não nos permite evoluir. No outro dia fui a Setúbal e almoçei numa tasca da baixa e ali sentada à espera do meu bitoque de carne de porco, pus-me a desenhar com a imaginação, uma comparação. A comparação de diferentes cenários de "dias contados". Como é incrível a diferença, entre tomar café num starbucks num centro de negócios cosmopolita, onde executivos bebem café apressados, e as mulheres ajeitam a maquilhagem ao mesmo tempo que comem biscoitos diéticos; entre beber café na baixa de Lisboa, onde turistas ingleses se enbebedam o dia todo, as raparigas passam brilhantes com os seus sacos da zara e da berska, os gays encontram-se uns aos outros, metrosexuais da margem sul distribuem folhetos sobre um cartão ou promoção qualquer, pintores nas ruas a pincelar um outro rabisco por cada hora, no fundo de desemprego há 2 anos e meio; entre comer um bitoque numa tasca da baixa de Setúbal, onde bebâdos, doentes e pessoas de um aspecto grotesco, falam alto ao balcão, comportam-se de modo muito semelhante aos seus antepassados, de modo que retrato do interior de uma dessas tascas poderia ter sido tirado hoje e há trinta anos, porque seria muito semelhante. A diferença dos cenários está nas pessoas e na maneira como lidam com a sua efemeridade. Os das tascas não lidam, têm mesmo uma aperência de quem pode morrer esta tarde ou amanhã. É uma comparação que me surgiu de forma espontânea.»

Exploring Life

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