Thursday, December 21, 2006

Estampa da gravura de Francesco Bartolozzi feita pelo retrato pintado por Henrique José da Silva 'ad vivum'.
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Bocage (15.Set.1765 - 21.Dez.1805)

     «Nenhuma morte em Lisboa no começo do século 19 foi tão anunciada como a de Bocage. Embora tenha reagido à informação falsa de que teria morrido, usando-a como inspiração para um irónico poema, Bocage aceitou que chamassem ao quarto andar do prédio de nº 11 do beco de André Valente o pintor Henrique José da Silva para que lhe fizesse um retrato, o que não deixava de ser um indicativo de que seu fim estava próximo e que os amigos daquela forma procuravam preservar a sua imagem para a posteridade. Seria o terceiro e derradeiro retrato que lhe fariam. O primeiro fora executado por Máximo Paulino dos Reis, em 1797, pouco antes de o poeta ser preso. E o segundo em 1801, por Domingos José da Silva, miniaturista e gravador .
     «A princípio, como recompensa, Henrique José da Silva recebeu apenas um soneto em que o poeta lhe agradeceu “o primoroso desempenho” com que o retratou. Mas, depois, ganhou muito dinheiro graças à fama do poeta. Como se percebe pelo soneto, Bocage ainda viveu o suficiente para ver o resultado do trabalho, pois o poema de agradecimento foi incluído no livro Coleção dos Novos Improvisos, posto à venda em Agosto de 1805 . Concluído o retrato, Henrique José da Silva, pintor figurinista, chegou a um acordo com o famoso gravador florentino Francesco Giuseppe Eligio Bartolozzi, que viera para Lisboa em 1802 a convite do príncipe regente para actuar como mestre de gravura da Impressão Régia e permaneceu ao serviço da tipografia até à data da sua morte em 1815.
     «Bartolozzi fez uma estampa com base no retrato pintado por Henrique José da Silva e, um mês depois da morte de Bocage, abriu subscrição pública para a venda de gravuras com a efígie do poeta. [...] Quatro anos depois, Henrique José da Silva e Francesco Bartolozzi continuavam a ganhar dinheiro com a fama do vate. Tinham à venda “uma porção de estampas do retrato do insigne poeta Manuel Maria de Barbosa du Bocage, gravado pelo sobredito Bartolozzi, tão bem desempenhado que imortaliza igualmente tanto o gravador como o gravado”. As gravuras continuavam a ser vendidas nas lojas da Gazeta, no estabelecimento que fora de António Manuel Policarpo da Silva, no café de José Pedro e na loja de António José de Barros, em Coimbra, mas o preço da unidade agora caíra para 480 réis . Nas cartas deixadas por Maria Francisca, não há registro de que tenha recebido um tostão por essa iniciativa dos amigos de seu irmão.»

"Bocage: a morte anunciada"

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