Monday, April 02, 2007

A ver aviões passar


Pista de aeromodelismo à esquerda e Poceirão ao fundo.
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     Enquanto os políticos de todas as cores e engenheiros de todas as especialidades se encaminham para considerar o Poceirão como a melhor localização para o novo Aeroporto de Lisboa, convém referir que o "Clube de Aeromodelismo de Setúbal" já tinha chegado a essa conclusão há vários anos: é no Poceirão que se localiza a sua pista de aeromodelismo (vejam-se mais fotos aqui).
     Durante algum tempo, pacientemente, o José Clemente (na altura Presidente do clube) e o Vitor Vivas procuraram na região um espaço plano que preenchesse as condições ideais para o voo dos pequenos modelos e, com a ajuda da Junta de Freguesia do Poceirão, localizaram ali a pista do Clube, que já tem sido utilizada para a realização de diversas competições nacionais, e que serviu igualmente de pista de treinos das equipas que participaram no Campeonato Europeu de Acrobacia Radiocontrolada, em 1984.
     Ao Clube de Aeromodelismo de Setúbal, que comemorou no passado dia 25 de Março o seu 25º aniversário, os nossos parabéns.
     Entretanto, a distraída Setúbal, que em tempos teve um lóbi para defender a localização do novo aeroporto em Rio Frio, anda agora desligada do assunto. O que dirão os setubalenses quando descobrirem que um aeroporto no Poceirão lhe vai trazer, entre outras coisas, o ruído dos aviões a passarem-lhe por cima nas rotas de aproximação pelo Sul?


Pormenor da pista. Em primeiro plano o "meu" DH Moth Major, agora nas competentes mãos do actual Presidente do Clube, Domingos Flores.

6 Comments:

At 11:37 pm , Anonymous Anonymous said...

Esteja descansado, caro J.A., porque os setubalenses não vão correr esses risco. Os dados estão lançados, a luta de interesses definida; Os setubalenses terão o privilégio de não ser incomodados com o roncar dos aviões que terão que apanhar a quase 100km. No entanto poderão tomar os comboios no Pinhal Novo (manterão eventualmente as ligações sub-urbanas), o hipotético "TGV" não se sabe bem onde etc, enfim, o lugar reservado ao núcleo urbano no extremo sul da EX?, Futura? Região de Lx V.T..

 
At 9:21 am , Blogger J.A. said...

Os setubalenses terão que tratar por si próprios do seu futuro e deixar de se desculpar com factores externos para as suas capacidades e realizações.

Um aeroporto na Margem Sul — cada vez mais provável — certamente valorizará o Porto de Setúbal, mas também acarretará investimentos (públicos e privados) que não são propriamente compatíveis com a qualidade ambiental que aqui existe. Não há almoços grátis, ou seja, não há desenvolvimento e riqueza que aqui possam cair de bandeja sem que acarretem igualmente efeitos colaterais negativos.

Portanto, há que decidir. Querem o aeroporto no quintal [e o carro no passeio à porta de casa] ? Então lutem por ele! Por vezes, parece que querem a cidade cheia de turistas, mas sem terem de fazer nada pela qualificação do espaço urbano, dos serviços e do comportamento cívico.

 
At 11:39 am , Blogger Barao said...

Não percebo como alguém que faz uma luta tão vincada contra a co-incineração (que segundo o relatório da ERGO, homologado pela Comissão de Acompanhamento da SECIL, até melhora o desempenho ambiental) vem depois defender um aeroporto em cima do curso de água subterrâneo mais valioso do país e no corredor ambiental mais valioso da península de Setúbal, com óbvias implicações para a Arrábida e para o Sado.
O aeroporto implica uma mudança abrupta de toda a estratégia de desenvolvimento que está hoje em andamento e está voltada para a protecção integrada do ambiente, para o sector primário remanescente e para o turismo de qualidade. Será que todos estamos cientes disso?

 
At 6:05 pm , Anonymous Anonymous said...

Ironias à parte, o que me parece evidente é que Setúbal está condenada a um contínuo definhamento e "periferialização" e eu, não sendo de Setúbal, acho incrível não se ouvir uma voz contra o fenómeno. A opção pela Ota parece cada vez mais uma "encomenda" com motivações na correlação de forças do arco governativo (ler o que, sobre o assunto, vem perorando o farol da Lusa- Atenas). Parece-me sintomático o que a Elisa Ferreira veio dizer sobre o propalado "veto" ambiental. Eu, um simples ignorante, deste e muitos outros aspectos, limito-me a constatar as contradições em que sucessivamente os arautos vêm caindo. Um destes dias, o Dr Vital Moreira falava do Poceirão como ficando a 100km de Lx.... Para outros, 1, 2 ou 2.5 mil milhões de euros de diferença nos custos não é motivo de ponderação. Limito-me a "estar ao vento" a assistir à inexcedível e inatacável solidez dos factores favoráveis à Ota, à apatia de Setúbal embora "barão" tenha trazido um elemento que ouço pela primeira vez, mas, só por si justificaria (?) a "orgia orçamentária". Bom , Setúbal não fica sem nada, parece adquirido que vai livrar o país de parte significativa dos seus resíduos indsutriais perigosos, já não é mau...

 
At 8:29 pm , Blogger Barao said...

A co-incineração não se destina a tratar só dos resíduos de um país imaginário e distante. Acresce que grande parte dos resíduos industriais perigosos foram/são gerados no Distrito de Setúbal.
Setúbal ficará com os recursos de que dispõe para que os Setubalenses a desenvolvam, com as plataformas logísticas novas na região, as linhas férreas novas, as novas acessibilidades ao porto,
com o maior pacote de investimentos turísticos do país à porta do Concelho, com as suas característica económicas únicas e ficará com algum peso administrativo no âmbito da organização dos serviços desconcentrados do Estado (se calhar mais do que tem hoje).
Setúbal tem de deixar a posição de oposição a si própria e procurar o que tem dentro de si. É óbvio que o Novo Aeroporto e a co-incineração não se cruzam ou ligam, mas é estranho que se seja fundamentalista com emissões comprovadamente insignificantes e não se seja com os, também comprovados, brutais impactos ambientais de um aeroporto no Rio Frio, Alcochete, Faias ou Poceirão.

 
At 12:22 am , Blogger J.A. said...

Independentemente dos impactos poluentes do Aeroporto nas águas subterrâneas (novidade para mim, mas que penso merecer atenção), calculo que um aeroporto na margem sul terá impactos urbanísticos (pressão construtiva, infraestruturas diversas, logística, redes viárias) que não serão nada positivos para a qualidade ambiental da Península de Setúbal - e refiro-me apenas à comunidade humana. Parece-me um território muito pequeno e tão rico em termos ambientais, e já tão sujeito a pressões urbanísticas, que o aeroporto só virá agravar. E creio que acentuaria a subalternização da região perante Lisboa.

Por outro lado, a economia local tout court viria beneficiar muito com o aeroporto.

Qual seria o balanço final? Eis um bom tema para debate.

Mas, claro, ninguém está interessado em saber a opinião dos habitantes da Península de Setúbal. Entre as contas de "onde é que fica mais barato" e a oportunidade, para alguns, de provocar erosão no governo Sócrates, as populações não contam para ninguém (como não contaram para os estudos de décadas).

 

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