Tuesday, July 17, 2007

Cinco livros [1]

Respondendo a um desafio-testemunho transmitido pelo João Ribeiro, escolhi cinco livros que li, reli ou consultei nas últimas semanas. E começo por:

Vinte Poetas Contemporâneos - David Mourão-Ferreira
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Vinte Poetas Contemporâneos
David Mourão-Ferreira


     Crítica literária dum tempo em que se podia dizer de uma publicação ["Os Amantes sem Dinheiro"] de Eugénio de Andrade: «Livro precipitado. Porquê? — Pela inserção de poemas que poderiam pertencer ao livro anterior, mas inferiores porquanto resíduos de uma maneira que nesse livro atingira os mais altos pontos. Precipitado ainda porque os outros poemas, revelando talvez um novo caminho, são por enquanto insuficientes para devidamente o caracterizar; insuficientes em número e em matéria. Por outro lado, a imaginística de Eugénio de Andrade começa a correr o perigo da banalização.»
     Outros poetas "analisados": Cabral do Nascimento, António de Sousa, Campos de Figueiredo, José Gomes Ferreira, José Régio, Vitorino Nemésio, Alberto de Serpa, António Gedeão, Adolfo Casais Monteiro, Tomaz Kim, Jorge de Sena, Sophia M. B. Andresen, António Manuel Couto Viana, Mário Cezariny (de Vasconcelos!), Luiz de Macedo, Fernanda Botelho e... Sebastião da Gama.
     Sobre Sebastião da Gama - a quem o livro é dedicado - incluem-se três textos: 'O papel da Morte na sua Poesia' (de 1953), 'Na publicação de «Pelo Sonho é que Vamos»' (1954) e 'Convívio com Sebastião da Gama' (1967). Deste último citamos um excerto de uma carta que o Poeta enviou a David Mourão-Ferreira, onde anotava "aquilo que a nossa geração, 'sem programas, sem promessas' deveria esforçar-se por dizer":

«... que o homem de sempre é mais verdadeiro que o homem do Chiado; que ao lado dos problemas momentâneos há os problemas eternos; que o homem para se conhecer plenamente, ou o século para se conhecer plenamente, tem de ser observado não em uma só das suas manifestações mas na multidão das suas manifestações; que a arte é a vida, nos seus matizes múltiplos, posta em beleza, não a política, não a religião, não a moral postas em beleza; que o Artista verdadeiro apenas responde às vozes que chamam dentro de si — o que não quer dizer que essas vozes não tenham sido caldeadas em muitas vozes exteriores. Isto não é um programa, porque nós não temos programa senão Honestidade, Independência, Respeito à Arte e à Vida: mas são as coisas em que cremos.»

Sebastião da Gama

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